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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007
Entrevista à revista Unquote

 

Entrevista a Francisco Banha, CEO da Gesventure e Presidente da FNABA (Federação Nacional de Associações de Business Angels) por Angélica Mari da revista britânica Unquote (Private Equity)

 

- Quais foram as principais mudanças no capital de risco Português nos últimos 12 meses?Na vertente do Venture Capital assistiu se à criação de um instrumento de apoio ao lançamento de novos negócios designado por Programa Finicia. Na sua essência  este programa permite que ideias que visem criar  protótipos de novos produtos ou novos modelos de negócio possam captar a atenção de uma Sociedade de Capital de Risco (SCR) do Estado - INOVCAPITAL- que poderá aportar até 45.000 euros devendo o Empreendedor colocar no mínimo 5000 euros. Por sua vez, as start ups que pretendam reforçar o seu posicionamento no mercado nacional ou internacional  através de um projecto de desenvolvimento poderão ser alavancados por parte da INOVCAPITAL até ao montante de 850.000 euros devendo o Empreendedor possuir a quantia mínima de 150.000 euros quer só quer na companhia de BAngels.
A implementação do Programa Finicia e a reestruturação das SCR públicas que culminou na criação da nova SCR do Ministério da Economia Portuguesa- a INOVCAPITAL- assumem assim um destaque muito importante e de quem se esperam grandes expectativas na dinamização do mercado nomeadamente ao nível da cobertura do designado " Equity Gap".
 Na área do Private Equity o mercado continua muito pouco activo em virtude de o número de operações existentes de MBO/IN ainda não ser significativo o que faz com que haja mais oferta de fundos do que procura dos mesmos por parte dos potenciais empresários ou Equipe de Gestão. Merece no entanto relevo a entrada no mercado de novos operadores de grande dimensão como é o caso das SCR lideradas pelo ex-CEO da Caixa Geral de Depósitos - António de Sousa- e do ex-CEO da EDP - João Talone- o que faz antever um aumento da concorrência neste segmento de mercado. Para além disso, ocorreu no corrente mês de Agosto a aprovação do decreto lei que permite no mercado português a existência jurídica da figura dos Business Angels.

Qual foi a actuação da Gesventure e da FNABA no sentido de "lobbying" junto ao governo para facilitar a actividade do capital de risco local?
Sensibilizar o governo para: ( i) a necessidade de criar as Sociedades Gestoras de Fundos de CR que façam exclusivamente a Gestão de Fundos de CR e por isso necessitem de apenas 250.000 euros de capital social em vez dos anteriores 750.000 euros. (2) Não aumentar os fundos necessários à constituição de um FCR de 1 milhão para 2.5 milhões, como os operadores privados de Private Equity pretendiam olhando só para a vertente economicista, para que se possa mobilizar a criação de FCR universitários e de âmbito regional. (3) criação de um enquadramento jurídico e fiscal favorável a actividade de BA. (4) dinamizar a Comunidade de BA em Portugal através do apoio a constituição de 7 Clubes de BA que por sua vez se associaram numa Federação Nacional de Associações de BA- www.fnaba.org o que permite cobrir o mercado nacional de norte a sul do pais. Com a constituição desta Federação foi possível (i) uma tomada de posição sólida e unânime perante o documento que a CMVM colocou à discussão pública para alterar a lei reguladora da actividade de CR (ii) a realização da Semana Nacional de BA que levou o conceito dos BA a 5 regiões de Portugal (iii) apoio à realização do 7º Congresso Europeu de BA no nosso Pais (iv) participação em diversas sessões de divulgação do Programa Finicia junto de Universidades e outros pólos de dinamização empresarial (v) apoio à realização do Programa EASY Project- cross border BA em Portugal nos próximos dias 11 e 12 Outubro que irá permitir que mais de 200 BA europeus venham a Portugal avaliar cerca de 20 projectos de early stage que procuram capital.

Como lidar com a questão da falta de informação sobre o capital de risco pela parte da comunidade investidora?
Ao nível da transparência da informação no sector de capital de risco nacional verificou-se uma evolução bastante positiva nos últimos dois anos nomeadamente ao nível da divulgação por parte dos Operadores de CR das Operações que realizaram quer ao nível dos investimentos quer dos desinvestimentos. Por outro lado a APCRI- Associação Portuguesa de Capital de Risco - fez um esforço enorme junto dos seus associados o que permitiu dotar o mercado de informação estatística agregada, do sector com uma periodicidade bianual e com um detalhe próximo das melhores best pratices mundiais. Por sua vez, a Indústria também passou a assistir a uma participação na comunicação social e nos diversos eventos que se tem vindo a realizar no nosso Pais,  dos principais lideres das SCR portuguesas o que permitiu passar a conhecer melhor as estratégias de desenvolvimento que perspectivam para os seus negócios e consequentemente "sinais" para os Empreendedores e restante comunidade financeiras saberem o que podem esperar quando tem de recorrer a tão importantes investidores.

Investidores espanhóis tem razão para reclamar das condições limitadas para investir no vosso pais? Como eles poderiam ajudar a dinamizar a indústria local?
Portugal possui actualmente na área do Venture Capital e do Private Equity um dos melhores enquadramentos fiscais em vigor na Europa como recentemente foi reconhecido por estudos da Comunidade Europeia. Com efeito, as mais valias são isentas de tributação e os capitais mínimos- 750.000 euros para constituir uma SCR, 1 milhão de euros para um FCR e agora mais recentemente 250.000 euros para criar uma SGCR- para o desenvolvimento da actividade são já bastante atractivos tendo em conta a dimensão do nosso mercado. Por sua vez, os mecanismos de supervisão em vigor por parte da CMVM são bastante eficientes ao não possuírem uma carga burocrática pesada ao nível das regras de "corporate governance" que este tipo de actividade sempre tem de obedecer. Se por um lado Portugal oferece actualmente esse bom enquadramento jurídico e fiscal por outro ao nível da existência de oportunidades junto da comunidade empresarial elas são relativamente pequenas e daí não ser fácil para os Operadores Estrangeiros, mesmo para os Espanhóis que estão relativamente perto em termos geográficos, terem uma participação activa no mercado uma vez que para isso precisam de ter uma atitude mais pro-activa que não se compadece com o acompanhamento de eventuais operações apenas pelos jornais ou por escritórios de representações baseados em empresas de advogados ou das empresas internacionais de auditoria. Assim, acredito que as SCR espanholas, nomeadamente, poderiam contribuir para que o mercado português de CR fosse mais atractivo se passassem a ter estruturas próprias no nosso pais principalmente em Lisboa- e que por essa via encarassem o nosso mercado como um alvo interessante para a detecção de oportunidades de negócio ainda por cima quando a generalidade das empresas portuguesas com potencial de crescimento e valorização se encontram subavaliadas comparativamente aos preços que se praticam em Espanha quando estão envolvidas empresas similares. 
Só assim os Operadores Espanhóis de CR podem competir com os seus congéneres portugueses na identificação de oportunidades que lhes permitam posteriormente as mais valias que tanto ambicionam como ainda esta semana aconteceu a diversos investidores de CR portugueses quando alienaram por 100 milhões de euros a Chipedia a investidores americanos.
 
Na sua opinião, operadores Portugueses privados de maior porte estão ajudando ou limitando o dealflow no pais?
O problema do mercado português nunca foi ao nível dos Operadores de Private Equity, ou seja os de grande porte, pois estes sempre tiveram uma capacidade de resposta adequada à procura existente. Com efeito os grandes grupos portugueses como por exemplo Pestana, Logoplaste,Visabeira, Coelima e mais recentemente a própria Sumolis sempre obtiveram capital de risco para alavancarem os seus negócios. Por sua vez esses capitais tanto foram obtidos junto de SCR publicas como privadas mas que possuíssem, naturalmente,  uma estrutura de capitais que fosse por exemplo capaz de alavancar operações como a aquisição da empresa Compal por parte do grupo Sumolis e que envolveu mais de 100 mihões de euros da Caixa Capital.
Nesse sentido os Grupos Privados e Públicos estão a fazer o seu trabalho na área do private equity e mais concretamente nas grandes operações competindo com os grandes operadores de capital de risco internacionais.
Por sua vez as designadas operações do chamado "middle market" por terem sido até ao momento em número restrito provocam efectivamente uma concorrência acrescida junto dos players mais pequenos o que faz com que estes se manifestem contra o poder das maiores SCR nomeadamente as que são detidas pelo Estado pois as mesmas inviabilizam a possibilidade das SCR com menor capacidade financeira fazerem operações que lhes garantam uma taxa de rentabilidade mais atractiva e de menor risco.
Por isso mais do que criticarem as SCR de maior dimensão sou da opinião que os gestores das SCR de menor porte devem concentrar a sua actividade, mesmo que para isso nos primeiros tempos não obtenham ou ate percam mesmo algum dinheiro, na criação de condições para terem uma oferta eficaz junto das start ups que consigam passar com sucesso o primeiro round de financiamento pois nesse estágio os grandes players de CR não têm interesse em investir dado a incerteza que os projectos ainda possuem nomeadamente ao nível da sua boa receptividade junto do mercado. E se há anos atrás estes operadores mais pequenos podiam queixar se de que não havia empresas com essas características actualmente existem cerca de 100 start-ups portuguesas, nas mais diversas áreas de actividade, que possuem condições atractivas para que os experientes e competentes gestores dessas SCR possam vir a adicionar o valor necessário para que essas start ups dêem um salto qualitativo que as torne num prazo médio de 2 anos excelentes negócios para as SCR de maior dimensão. Recordo que, por exemplo, a Crioestaminal- empresa de biotecnologia que recentemente foi alvo de uma aquisição por parte de um dos maiores players de Capital de Risco a operar no nosso país- durante os seus primeiros anos de actividade teve de conquistar com os seus próprios meios a confiança do mercado arriscando-se a perder a sua first advantage só porque os operadores de CR de menor dimensão não acreditaram que estava ali uma excelente oportunidade de negócio como posteriormente se veio a reconhecer. 
 
O que ainda falta para que o mercado de capital de risco Português cresça? Qual e a sua visão do futuro?
Antes de mais convém referir que a Industria de CR em Portugal nunca será caracterizada pelo seu número elevado de operações mas sim pela excelência que as mesmas possam alcançar conforme se provou pela recente operação da Chipidea ou anteriormente pela Payshop, operação que o mercado pouco conhece mas que possibilitou a duas SCR nacionais elevadas mais valias. Nesse sentido considero que ao nível do Private Equity o mercado já tem um numero de players interessante para a sua dimensão o que permite aos Empresários e/ou Quadros de Gestão que decidam liderar operações de aquisição ou de MBO/MBI ter a oferta de CR necessária quer os montantes envolvidos sejam de media ou grande dimensão. Perspectivo no entanto profundas alterações no número de operações realizadas no segmento do Venture Capital caso (i) as SCR em que o estado português tem maioria accionista continue a fazer o excelente trabalho que a Equipe liderada pelo Dr. Joao Vicente Ribeiro desenvolveu nos últimos três anos possibilitando a que pela primeira vez, em 20 anos de actividade de CR em Portugal, se tenham apoiado cerca de 70 Empreendedores a materializarem os seus sonhos de criarem negócios de valor acrescentado que visaram satisfazer necessidades muitas delas nem sequer até aquele momento "sentidas" pelo mercado. Vide por exemplo o projecto denominado "SmartAdvertising" que em apenas 1 ano passou de um volume de negócios de 50.000 euros para 2.500.000 euros e que neste momento já ambiciona a internacionalização do seu conceito com a mais que provável entrada no mercado espanhol mais concretamente em Vigo. Para o efeito acredito, muito sinceramente, que a INOVCAPITAL com a liderança emotiva, mobilizadora e conhecedora do seu CEO, Dr. Luis Filipe Costa, possa vir a contribuir com a sua capacidade financeira e de networking para o fortalecimento do novo Ecossistema Empreendedor Português, que seja atractivo a todos os seus intervenientes, estimulando pela via do CR o aparecimento de novos projectos e o lançamento internacional de outros que já passaram a fase do "seed capital". (ii) A comunidade empreendedora e a comunidade de BA consigam aproveitar a excelente oportunidade que as Plataformas FINICIA permitem na alavancagem de projectos que se encontram nas fases de seed capital e start-up, pois dificilmente terão no futuro uma "porta de entrada" no mundo dos negócios como aquela que o citado programa permite. (iii) Sejam implementadas medidas fiscais de estímulo à actividade de Business Angels (iv) se criem os primeiros Fundos de Capital de Risco Universitários que actuem nas fases de Seed Capital (v) se dinamize a criação de um Concurso Nacional de Planos de Negócios devidamente orçamentado - em França o orçamento é de mais de 25 milhões de euros - que atraia ao mesmo tempo potenciais empreendedores com experiência profissional e projectos de elevado factor de diferenciação que possam vir a alimentar o citado Ecossistema. (vi) Se lance um Plano Nacional de Incubadoras que some as competências e os recursos actualmente dispersos por "n" entidades e estimule o crescimento de novos projectos empresariais que possam ser apresentados pela sua qualidade e potencial de mercado às Comunidades Regionais de BA que felizmente já começam a existir no nosso Pais. (vii) Alguns dos empreendedores que foram apoiados com CR, nos últimos 3 anos, consigam ter sucesso, nomeadamente nos mercados internacionais, capaz de captar a atenção dos investidores internacionais de CR possibilitando a obtenção de mais valias às SCR e aos citados Empreendedores que permita a criação de um verdadeiro círculo virtuoso de mais empresas e mais capitais...

 


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publicado por Francisco Banha às 18:59
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