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Sexta-feira, 16 de Julho de 2010
Contabilidade em mudança

 

Partilho com os seguidores deste blog o último artigo do Professor Rogério Fernandes Ferreira publicado Jornal de Negócios, aproveitando para, mais uma vez, o homenagear. Rogério Fernandes Ferreira, Economista e advogado, sobretudo reconhecido na área da fiscalidade, faleceu na terça-feira aos 81 anos de idade, vítima de doença prolongada.

 

"A série de considerações que vamos tecendo sobre as mudanças operadas na contabilidade no mundo globalizado em que se vive actualmente está quase a chegar ao fim.

 

Na semana passada, a 7 de Junho, faleceu Lopes de Sá, brasileiro e português, expoente da contabilidade, respeitado mundialmente, que nos deixa valiosa e talvez mais vasta bibliografia de contabilidade e gestão. Lopes de Sá ao longo da sua vida pugnou sempre pela verdade das contas e foi crítico, tal como eu próprio, das normas internacionais de contabilidade, partilhando reflexões em comum, que em parte expressámos na obra que em 2006 a OTOC publicou ´Separados pelo Atlântico, Unidos pela Contabilidade´.

 

Em singela homenagem ao meu ilustre companheiro e meu guia permito-me recordar excertos de seus muitos escritos em que o tema foram as NIC (Normas Internacionais de Contabilidade):“ Não é o fato de uma entidade determinar em norma que a realidade é essa ou aquela que faz disso uma verdade.

 

Constatei na longa prática que possuo sobre a atividade contábil que alguns profissionais elegeram critérios para formar as suas opiniões sem atentarem no consagrado cientificamente, elegendo métodos baseados em arbítrios, em vez de se apoiarem na realidade dos fatos.

 

Como não se pode acusar a Medicina pelo aborto que alguns profissionais realizam, nem denegrir o conhecimento da Física em razão da “bomba H”, sequer o Direito por leis incompetentes, também não é justo imputar-se à Contabilidade o derivado de maquilhagens e fraudes nas informações, assim como certificações de balanços como adequadas, mas, de empresas que manipularam.

 

Se do ponto de vista lógico contábil demonstrar é evidenciar apenas como algo se encontra em relação à riqueza, o opinar é explicar o que se entende por aquilo que é efectivamente informado ou evidenciado. Não são, pois, leis, normas, regulamentos, resoluções de entidades que devem determinar “como opinar”, mas, sim, o ato de consciência ética do profissional inspirado em juízos de natureza científica.

 

Dar parecer exige liberdade de expressão e subordinação a uma consciência ética e lógica, comprometida com a verdade.

 

Informar é apenas relatar, função quase mecânica, enquanto opinar é oferecer um entendimento não só sobre o que se observou ou de que se tomou conhecimento, mas e sobre o que racionalmente se produziu pela força do intelecto.

 

Polémicas atuais teriam sido evitadas, desconfianças impedidas, se as normas não fossem tão liberais; as licenciosidades do subjetivismo, os critérios de alternativas, ensejaram balanços de ativos podres e lucros virtuais, ou seja, “fábulas de contadores”, como a isso denominou o “Nobel” Krugman.”


Com pesar e tristeza ficava hoje por aqui."

 

In Jornal de Negócios, 13/7/2010

 



publicado por Francisco Banha às 16:36
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Terça-feira, 13 de Julho de 2010
Faleceu o Professor Rogério Fernandes Ferreira

 

É com grande pesar que soube do falecimento do grande professor universitário e meu amigo Rogério Fernandes Ferreira, que

fez parte da reforma fiscal que criou as bases do sistema de impostos actual e ganhou prestígio em Portugal e no estrangeiro.

Faleceu ontem aos 81 anos de idade, vítima de doença prolongada, à qual resistiu estoicamente até ao último momento.

 

 

Professor catedrático, exerceu funções de docente em Portugal e no estrangeiro. Publicou em revistas e jornais milhares de artigos e escreveu dezenas de livros sobre gestão, gestão financeira, contabilidade, auditoria, fiscalidade, entre outros temas. Pertenceu à última Comissão de Reforma Fiscal (1985/88), foi presidente da Comissão para a Revisão do IRS (1998) e da Comissão para a Revisão do IRC e Anteprojeto de Unificação (1999/2000).

 

Foi também, recentemente, o primeiro presidente da Comissão de Normalização Contabilística de Portugal.

O corpo segue hoje, ao meio-dia, para a Basílica da Estrela, em Lisboa.

 

Aproveito esta ocasião para prestar a minha sentida homenagem a este meu grande amigo e professor e dar as minhas condolências à sua família.



publicado por Francisco Banha às 13:14
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