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Terça-feira, 21 de Setembro de 2010
E porque não Empreender?

 

 

A leitura de um artigo do Jornal Público de dia 19 de Setembro suscitou-me uma interrogação e um comentário crítico que partilho convosco.

 

O artigo de Raquel Martins, sob o título “Desempregados menos activos a criarem os seus negócios” refere que dos mais de 690 mil desempregados inscritos nos centros de emprego, menos de 1% deitou mão aos incentivos para a criação do próprio emprego. Sendo esta a realidade, eu pergunto-me porque é que os desempregados inscritos no centro de emprego e beneficiando de apoios não criam as suas empresas!

 

Poderá (re)ler o artigo do Público em http://jornal.publico.pt/noticia/19-09-2010/desempregados-menos-activos--a-criarem-os--seus-negocios-20233572.htm . Quanto ao meu comentário a este artigo, partilho-o de seguida.

 

E porque não Empreender?

 

O jornal Público de Domingo (19/09/2010) chamou a atenção para o reduzido número de desempregados que optam pela criação do próprio emprego. Segundo o artigo, apenas 6387 pessoas de um total de 690 mil desempregados, ou seja, menos de 1%, aproveitaram o apoio do Estado para criar o seu negócio (dados de 2009).

 

Uma rápida pesquisa pelo site do IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional) permite constatar que entre a oferta formativa existente e disponibilizada pelas 45 Entidades Formadores que colaboram com este instituto, nenhuma proporciona um curso de Empreendedorismo.

 

É certo que o IEFP proporciona algumas ajudas aos desempregados que querem empreender. No entanto, pelos números apresentados, estas não se manifestam suficientes para contrariar a tendência que, segundo o Presidente do IEFP, traduz a baixa taxa de empreendedorismo em Portugal que se encontra inferior à média Europeia.

 

Mas não tem de ser assim. A existência de mais empreendedores depende essencialmente de duas condições: melhores apoios financeiros/ técnicos e motivação. Sendo a primeira já melhor ou pior respondida com os recursos que o IEFP tem à sua disposição, concentro-me na segunda que tem estado absolutamente ausente.

 

A motivação para empreender começa com o colocar da hipótese – “E se eu criar uma empresa ou o meu auto-emprego?”. Esta é a questão que muitos desempregados não colocam sequer. Por resistência ao risco, por desconfiança na economia, por desconhecimento de como se faz, por desconhecimento das capacidades que têm, são algumas das justificações que podem surgir. Talvez a última seja a mais importante dado que tudo o resto é secundário se cada indivíduo estiver ciente das suas competências e capacidades.

 

Estive há poucos dias nos Açores onde se iniciou um programa de ensino de Empreendedorismo nas escolas do arquipélago. O arquipélago da Madeira, iniciou o mesmo caminho já há 5 anos com um programa, também junto das escolas, que mobilizou 1300 alunos no ano lectivo passado. Várias autarquias do continente iniciaram o mesmo percurso há 4, 3 e 2 anos. Outras começam apenas este ano lectivo mas com o mesmo objectivo – ajudar as crianças e jovens a descobrir hoje que podem ser empreendedoras amanhã!

 

Pode-se pensar que é um trabalho a desenvolver nas gerações mais novas para que a cultura de toda uma sociedade mude no sentido de se valorizar o empreendedorismo e os empreendedores. Felizmente não é e, alguns Institutos de Formação Profissional, começaram a olhar para esta realidade. Em Julho tive o prazer de entregar a dois empreendedores do Porto o prémio do Concurso de Ideias de Negócio do CENFIM (Centro de Formação Profissional para a Indústria Metalúrgica e Metalomecânica). Este centro de formação testou o projecto em 3 dos seus núcleos e vai agora estendê-lo a mais sete em zonas distintas do país.

 

Nunca é tarde para empreender e talvez seja apenas isso que muitos dos inscritos no IEFP precisam de ouvir e experimentar.

 

Francisco Banha

CEO da GesEntrepreneur, Lda

 

Website: www.gesentrepreneur.com



publicado por Francisco Banha às 11:06
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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009
Ex-desempregados criaram mais de 12 mil empresas ao longo de três anos

Os números não enganam. O IEFP ajudou ex-desempregados a criar 12 446 empresas ao longo de três anos (2006-08). As histórias multiplicam-se. Despedido? Os empregadores não lhe dão trabalho? Há sempre uma solução...

Os dados fornecidos ao JN pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) mostram que o empreendedorismo pode muito bem ser a solução para quem perde o seu posto de trabalho e não encontra quem o empregue. As Iniciativas Locais de Emprego (ILE) e o Apoio à Criação do Próprio Emprego (APE) têm sido programas do IEFP responsáveis por retirar milhares de portugueses do desemprego. As ILE foram responsáveis pela criação de 7764 empreas e os APE por 4682 numa tendência crescente entre 2006 e 2008. Contas feitas, estes dois programas foram responsáveis pelo surgimento de 12 446 organizações, grande parte delas micro-empresas, que constituíram a salvação para muitos milhares mais de desempregados.

 



publicado por Francisco Banha às 11:54
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Terça-feira, 28 de Abril de 2009
O risco de ser patrão - De desempregado a patrão

“A cada  dia, 2185 pessoas inscrevem-se nos centros de emprego.

 

O desemprego cresceu 24% em Março e atinge níveis recordes. Criar o próprio emprego a partir  da antecipação  das parcelas  do subsídio desemprego  e de incentivos  do Estado a fundo perdido pode ser uma alternativa.  O Instituto  do Emprego  e Formação Profissional tem 77 milhões de euros para o Programa de Apoio à Criação do Emprego Local.

(…)
 
Atingidos pelo desemprego alguns portugueses arriscaram criar o próprio negócio. Transformaram-se em patrões, mas não só. Fazem a vez de empregados e administradores. Estão sem salário ou ganham menos do que nos empregos anteriores. Dependem do companheiro, da família ou de emprego suplementar para sobreviver. Manter a porta aberta, pagar os custos mensais e as dívidas e fidelizar os clientes são as metas destes empreendedores. Buscam o ponto de equilíbrio, a sustentabilidade do negócio, e acreditam no futuro."
 
     Daniela Silva passou de solicitadora a empresária de chocolates gráficos em Vila Nova de Gaia.
 
Quando apresentou uma candidatura ao IEFP, tardiamente,devido a contratempos, a dotação orçamental da região esgoto. "O mais difícil foram as licenças camarárias para instalação da empresa. Os próprios técnicos da câmara não sabiam orientar-me sobre os pré-requisitos para a instalação de uma indústria de alimentos. Sem essas autorizações não era possível apresentar o projecto ao Instituto do Emprego.
Em busca de capital para abrir a empresa antecipou 3000 euros da parcelas a receber do subsídio desemprego. Obteve crédito da banca na ordem dos 100 mil euros e encontrou parceiro na Plataforma Finicia do IAPMEI (Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação), que injectou outros 45 mil euros.
Em Fevereiro de 2008, a Carpe Chocolatum começou a produzir. "A previsão de facturação para 2008 era de 117 mil euros, chegámos a 36 mil euros. Em média faço 20 negócios por mês, o que resulta em cerca de 2500 euros mensais. Estamos a lutar para pagar os custos dos empregados, a licença de produção e o empréstimo bancário. Eu ainda não tenho salário, o que é frustrante, a família sobrevive com o emprego do meu marido ", relata Daniela.
 
     Depois de se fecharem as portas do atelier de designer de interiores em que trabalhava, Inês Cesteiro inaugurou o próprio escritório em Setúbal. Com mais duas amigas, ambas com empregos precários mas com formação em designer e arquitectura, tornaram-se sócias para realizar o sonho do próprio negócio e investir numa carreira profissional autónoma. "É um negócio para a vida, acreditamos piamente nesse projecto", garante Inês.
 
A primeira reunião no Centro de Emprego, para conhecer as possibilidades de apoio financeiro, foi "desmotivadora". "Concordo que seja assim, para que as pessoas percebam que não é fácil criar uma empresa, investir num negócio. É muito fácil desistir da criação do próprio emprego, pois os obstáculos legais, económicos e de mercado são muitos", pontua Sónia. O investimento inicial foi de 27 mil euros. Computadores, softwares de programação e o mobiliário consumiram a maior parte dos recursos. Além da antecipação do subsídio de desemprego de Inês, valeram o apoio ao primeiro emprego de Marina, que auxilia com 18 prestações do salário mínimo, e as economias das sócias. Para reduzir os custos mensais candidataram-se a uma sala no ninho de empresas de Setúbal. Inês e Sónia tinham ordenados na faixa de 1500 euros e, como estagiária, Marina recebia 750 euros. Com a abertura do próprio negócio passaram a um ordenado de 400 euros, que não está garantido. "As pessoas diziam que éramos loucas em apostar no próprio negócio em tempos de crise económica", relembra Sónia. "Faríamos tudo na mesma, sem o incentivo de criação do próprio emprego. Temos experiência no ramo, o que é determinante para os clientes que temos e os projectos que desenvolvemos", afirma Inês. "Mudámos o nosso padrão de vida, nada de jantares, viagens, compras. O importante é que os recursos que entram estão a manter o negócio vivo", assinala Marina.
 
 
Vêr mais testemunhos e artigo completo in Diário de Notícias, 26-04-09

 



publicado por Francisco Banha às 13:21
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